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Longos anos, presa à minha A tua mão, a vista deslumbrada Tive da luz que teu olhar continha.
Mas, ai! termina Outra tarde mais triste, dentro dela
És tudo: oceanos, rios e florestas; Vidas brotando em solidões funestas; Primaveras de invernos moribundos;
E, rolando num vórtice vesano, Oscilas entre a crença e o desengano, Entre esperanças e desinteresses.
Amo-te, ó rude e doloroso idioma
Sinto o que esperdicei na juventude; Choro neste começo de velhice, Mártir da hipocrisia ou da virtude.
Não me basta saber que sou amado, Nem só desejo o teu amor: desejo Ter nos braços teu corpo delicado, Ter na boca a doçura de teu beijo.
Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo. Envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem…
Penso nas amizades sem raízes; Nos afetos anônimos, dispersos, Que tenho sob os céus de outros países… Penso neste milagre dos meus versos:
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, Batismo e extrema-unção, naquele instante Por que, feliz, eu não morri contigo?